29/11/2018 - 16h30

Tribunal de Justiça de São Paulo e F/NAZCA estimulam adoção de maiores de 7 anos

‘Adote um Boa-Noite’ dá visibilidade a crianças com menores chances de conseguir uma família

Um trabalho desenvolvido em parceria entre o Tribunal de Justiça de São Paulo e a Agência F/NAZCA está estimulando a adoção de crianças que têm menor probabilidade de aceitação entre os casais. A iniciativa chama-se Adote um Boa-Noite e, desde que foi criada, em outubro de 2017, já atraiu a atenção de mais de 400 pessoas interessadas em dar um lar aos jovens acima de 7 anos ou com deficiências. É justamente quando completa um ano que o trabalho foi escolhido como um dos finalistas, na categoria Tribunal, da maior premiação da área jurídica do país, o Prêmio Innovare.

 

“A indicação do projeto Adote um Boa-Noite! como finalista do Prêmio Innovare é motivo de felicidade e orgulho para o Tribunal de Justiça de São Paulo. Serve como valioso reconhecimento da dedicação de todos aqueles que estão envolvidos com o projeto, além de ampliar a divulgação da prática, em benefício de crianças e adolescentes acolhidos do Estado”, comemora o juiz Iberê de Castro Dias.

 

Dados do cadastro nacional mostram que até em 20 de setembro de 2018 havia 44.511 pretendentes interessados em adoção. Apenas 8,79% deles dispostos a aceitar crianças com mais de oito anos. Enquanto isso, do total de 9.021 crianças e jovens disponíveis para adoção, 64,24% têm mais de 8 anos. Normalmente a justiça opta por não revelar os rostos das crianças e adolescentes que buscam um lar, para preservar os menores de constrangimentos. No entanto, como há mais dificuldades para adotar os jovens acima de 7 anos, a campanha optou por mostrá-los, para que os futuros pais tivessem um maior contato com eles.

 

O nome da iniciativa faz referência ao horário em que os pais levam a criança para dormir, despedindo-se até a manhã seguinte. O site www.adoteumboanoite.com.br foi criado pela F/NAZCA, a pedido do TJSP, sem uso de recursos públicos. Ele inclui fotos e relatos dos acolhidos pelo Poder Judiciário maiores de 7 anos ou portadores de deficiências.

 

“Dos 56 jovens que participaram do projeto ao longo do primeiro ano, quatro já foram adotados e 17 estão em alguma fase do processo, em estágio de convivência ou aproximação. Mais de 400 pessoas manifestaram interesse em adotar”, afirma o juiz. “Os menores passam pelo crivo de psicólogos e assistentes sociais, que trabalham para que a inclusão nesta iniciativa seja vista como positiva, mesmo que a adoção não ocorra. Os interessados em adotar também têm que passar por avaliações”, explica.

 

Deficiência não é barreira

 

Atualmente 60 crianças estão incluídas no site do Adote um Boa-Noite, originárias das varas do Tatuapé, Santo Amaro, Campinas, Jaguariúna, Cajamar, Aguaí, Ibiúna, Nazaré Paulista, Espírito Santo do Pinhal,  Jundiaí, Porto Ferreira e Mairiporã, mas a inclusão de menores já está aberta a todas as varas do Estado que estiverem interessadas em participar.

 

A deficiência também não é uma barreira para que os menores consigam um lar. Que o diga o pequeno Davi, de 8 anos, adotado por um casal que o conheceu após entrar no site Adote um Boa Noite. Davi tem um pequeno problema mental e foi adotado pelo casal Elaine e Eduardo depois que eles conheceram o projeto em uma reportagem de TV. “Foi amor à primeira vista, por foto”, conta Eduardo. “Logo que nos conhecemos ele nos abraçou e chamou de pai e mãe. Foi a melhor sensação que tivemos”, diz Elaine.

 

Innovare: pelo aprimoramento da Justiça

Criado em 2004, o Prêmio Innovare vem se consolidando como a maior e mais importante premiação da área jurídica no país, com o objetivo de estimular e disseminar práticas que colaborem para aprimorar a Justiça brasileira. Em sua primeira edição, a ideia era a de centralizar, em um banco de dados, as boas práticas de gestão do Poder Judiciário, permitindo que qualquer pessoa pudesse consultar as informações gratuitamente e utilizá-las para resolver problemas da mesma natureza. O sonho se concretizou e hoje o banco está disponível para consulta com 6.900 práticas no www.premioinnovare.com.br.

No primeiro ano do Innovare, apenas magistrados puderam concorrer e surpreenderam com o número de iniciativas inscritas: cerca de 300. Foram premiadas práticas sobre temas prioritários, como o combate à corrupção em eleições e compra e venda de votos, defesa do meio ambiente, tecnologia e conciliação. Os trabalhos e seus autores foram reconhecidos publicamente em uma cerimônia de premiação, em Brasília, permitindo a consolidação do início de um grande projeto para valorização da Justiça do Brasil.

Ao longo dos 15 anos, o Innovare seguiu modernizando sua atuação, abrindo espaço também para a participação de outros profissionais. Atualmente, o Innovare conta com seis categorias: Advocacia, Defensoria Pública, Ministério Público, Juiz, Tribunal e Justiça e Cidadania criada em 2015. Desta última, podem participar profissionais de qualquer área do conhecimento, desde que seus trabalhos também contribuam para aprimorar a Justiça. Desde 2004, 213 trabalhos já ganharam destaque (85 premiados e 128 homenageados) entre as 6.900 práticas inscritas em temas como acesso à Justiça, informatização, desburocratização, garantia de direitos, sistema penitenciário, apoio à criança, entre outros.

“Ao promover a identificação, a visibilidade e a disseminação de boas práticas voltadas à modernização e à eficiência da Justiça brasileira, o Prêmio Innovare contribui em máxima medida para a consecução desse objetivo, engajando órgãos e agentes de todo o sistema de Justiça e pessoas da sociedade civil, provenientes de todos os Estados do país, na busca de soluções para elevar a qualidade dos serviços jurisdicionais entregues ao cidadão. Convido-os, portanto, a refletir também sobre o que queremos para o futuro. Que continuemos unidos e engajados na busca pela efetivação desse projeto”, diz Dias Toffoli.

A diretoria, responsável pela coordenação das ações executivas direcionadas à concretização do Prêmio Innovare, é formada pelo diretor presidente Sérgio Renault, pelo diretor vice-presidente Pedro Freitas, e pelo diretor Antônio Claudio Ferreira Netto. Na estrutura também estão a equipe interdisciplinar de apoio e os consultores externos, responsáveis pela verificação e coleta de informações sobre o funcionamento das práticas in loco.

A premiação é mantida pelo Instituto Innovare, uma associação sem fins lucrativos, com a parceria do Ministério da Justiça e Segurança Pública, da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP), da Associação Nacional dos Defensores Públicos (ANADEP), da Associação dos Juízes Federais do Brasil (AJUFE), do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (ANAMATRA), com o apoio do Grupo Globo.

 

Mais informações

MMCom

Márcia Miranda – marciamiranda.assessoria@gmail.com

55 21 99618-5751