Premiada | Autor(es): Antonio Tadeu Rodrigues | Categoria: Justiça e Cidadania | Cidade: Maringá - PR

Visão de Liberdade

Prática Premiada

Autor(es): Antonio Tadeu Rodrigues

Categoria: Justiça e Cidadania

Estado: Maringá - PR

Link de Vídeo
Descrição resumida

O Visão de Liberdade nasceu de um déficit existente, no período, de materiais adaptados para atender aos alunos com deficiência visual na área sob a jurisdição do Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual - CAP Maringá, como livros digitados para impressão em braille, livros falados, materiais em relevo, maquetes, jogos adaptados, dentre outros. Visando minimizar o problema surgiu a ideia de buscar ajuda junto aos presos recolhidos na Penitenciária Estadual de Maringá - PEM. O trabalho iniciou visando atender pessoas com deficiência visual, crianças, jovens e adultos, moradores tanto da zona urbana quanto rural, dos 127 municípios da área de abrangência do CAP Maringá, no Estado do Paraná. Com a produção aumentando surgiu a possibilidade de disponibilizar alguns materiais, como livro falado, a outros centros e associações de deficientes visuais de todo país e também participantes da biblioteca pública de Sobreda em Portugal. O Visão de Liberdade tem como objetivos: - Atender, através da digitação de livros paradidáticos e literaturas em geral, a demanda de materiais necessários aos educandos com deficiência visual; - Garantir aos educandos cegos o acesso a materiais adaptados necessários ao seu atendimento educacional; - Envolver outras parcelas da sociedade nas questões referentes à deficiência visual através de ações em parceria. - Ampliar a produção de materiais adaptados favorecendo com isso a inclusão do deficiente visual na educação e na sociedade.

Explique como sua prática contribui para o aperfeiçoamento da justiça.

Podemos pensar nos benefícios aos três grupos beneficiados: AO PRESO: Oportunidade de inclusão social, proporcionando por meio desta atividade o resgate de sua auto estima e a restituição da cidadania através da dignidade e do respeito. Há ainda um outro benefício que é a possibilidade de remição de pena e recebimento de pecúlio. AO ALUNO DEFICIENTE VISUAL: a oportunidade de acesso às diversas literaturas, tanto em braille como em áudio, o aprimoramento de habilidades táteis para facilitar o seu aprendizado por meio de materiais em relevos e brinquedos adaptados. AO PROFESSOR: maior facilidade em ministrar conteúdos até então não trabalhados adequadamente por falta de materiais.

Desde quando sua prática está em funcionamento?

Data: março/2004

Qual a principal inovação da sua prática?

A principal inovação da prática é possibilitar a inserção de pessoas privadas de liberdade no processo de produção de materiais que irão auxiliar as pessoas com deficiência visual em inúmeras atividades de aprendizado. Ao mesmo tempo em que a pessoa cumpre sua pena contribui com outras pessoas que da mesma forma estão submetidas a algum tipo de privação, que no caso são as pessoas que tem deficiência visual. Dois grupos de pessoas que sofrem por exclusão se apoiam e contribuem um para o crescimento do outro. Os cegos são beneficiados com os materiais produzidos e os presos pela possibilidade de uma reinserção na sociedade com outros valores, morais, sociais, éticos. Neste caso existe uma parceria com a sociedade, que ao mesmo tempo que auxilia no tratamento penal, recebe benefícios diretos que são resultados da dedicação das pessoas privadas de liberdade. Uma inclusão de mão dupla colaborando com a sociedade no processo de ressocialização dos presos.

Explique como ocorreu o processo de implantação da prática.

Para a implementação da prática se faz necessária a coordenação por parte de um Centro de Apoio Pedagógico local ou que a localidade esteja sob juridição de um CAP. O processo de implantação de presos para atuar na produção dos materiais se dá através de avaliação pela Comissão Técnica de Classificação da unidade penal, prevista na Lei de Execução Penal. Tal avaliação criteriosa tem se mostrado o diferencial pois busca as qualidades necessárias para o bom desenvolvimento dos trabalhos e finalmente a excelente qualidade do material produzido. A prática pode ser iniciada com um número pequeno de presos e atuando em apenas uma das áreas de abrangência dependendo da estrutura que se tenha. Na Penitenciária Estadual de Maringá, o processo de gravação de livros falados se iniciou em uma câmara fria desativada. No caso da digitação em braile eram buscadas doações junto à comunidade local e os computadores eram montados com peças usadas, descartadas por outras pessoas. Após as premiações foi possível modernizar os ambientes de trabalho, montar estúdio de gravação com isolamento acústico e modernizar os computadores e mobiliários. Na Colônia Penal Industrial de Maringá foi recentemente montado uma sala com os equipamentos necessários para início das atividades.

Quais os fatores de sucesso da prática?

Unir na mesma prática duas categorias de pessoas excluídas: dos apenados e de deficientes visuais, cegos e com baixa visão. O sucesso da prática vai muito além do benefício da produção de materiais indispensáveis ao processo educacional das pessoas com deficiência visual, devolve aos apenados a dignidade, o sentir-se útil contribuindo com pessoas que necessitam dos materiais produzidos, a ressocialização dos internos e uma possível profissionalização para além das grades.

Quais as difuldades encontradas?

De início foram muitas: falta de materiais, equipamentos, as próprias dificuldades para se implantar um trabalho inédito, preparação da mão de obra, o ganhar a confiança dos internos e de toda uma equipe de profissionais dentro do sistema penal.

Descreva resumidamente as atuais etapas de funcionamento da prática.

O trabalho é realizado por três setores distintos sendo também suas etapas diferenciadas: 1. DIGITAÇÃO DE MATERIAIS: Antes de iniciar o trabalho os internos passam por uma capacitação realizada pelo CAP Maringá que trabalha: • Noções Básicas do Sistema Braille; • Capacitação com o software Braille Fácil; Depois dessa etapa inicia-se o trabalho que passa pelas seguintes fases: • Encaminhamento dos livros pelo CAP; • Digitação no software Braille Fácil; • 1ª revisão realizada pelos digitadores; • Encaminhamento do arquivo para o CAP. Ao chegar no CAP é feita uma nova revisão por professores especialistas, impressão em Braille, outra revisão realizada por um revisor cego, última impressão, encadernação e envio para os alunos via correio. 2. LIVRO FALADO: Para o trabalho do livro falado ou áudio livro, após seleção dos internos é realizada uma capacitação, inclusive já foi realizado curso de locução. O interno além de ter uma voz boa para a gravação, clara, com uma dicção perfeita, tem que conhecer os programas que irá utilizar no processo de gravação e edição do livro. Após esse período, inicia-se o trabalho propriamente dito, contando com as seguintes etapas: • Seleção dos livros pelo CAP; • Gravação de todo o livro; • Edição de sons e vozes; • Gravação em CD para revisão; • Revisão realizada no CAP por um funcionário cego; • Correções (caso haja necessidade); • Reprodução das 175 cópias; • Impressão de etiquetas; • Marcação em Braille das etiquetas; • Etiquetagem, endereçamento e encaminhamento via cecograma para os diversos locais. 3. MATRIZES EM RELEVO, MAQUETES, EQUIPAMENTOS PRÉ-BENGALA (brinquedos adaptados): Como nos outros setores este também, após a seleção, é realizada a capacitação. • Encaminhamento dos modelos mapas, desenhos, gráficos, brinquedos, maquetes, etc; • Produção de um modelo/matriz; • Reprodução de acordo com o número solicitado; • Encadernação/empacotamento e distribuição. Todo o trabalho produzido é encaminhado aos alunos deficientes visuais dos 129 municípios sob a jurisdição do CAP Maringá. Exceção feita aos livros falados que de cada original são reproduzidas 175 cópias e distribuídas a todo Brasil e também enviado a Portugal.

Infraestrutura

O trabalho é realizado por três setores distintos sendo também suas etapas diferenciadas: 1. DIGITAÇÃO DE MATERIAIS: Antes de iniciar o trabalho os internos passam por uma capacitação realizada pelo CAP Maringá que trabalha: • Noções Básicas do Sistema Braille; • Capacitação com o software Braille Fácil; Depois dessa etapa inicia-se o trabalho que passa pelas seguintes fases: • Encaminhamento dos livros pelo CAP; • Digitação no software Braille Fácil; • 1ª revisão realizada pelos digitadores; • Encaminhamento do arquivo para o CAP. Ao chegar no CAP é feita uma nova revisão por professores especialistas, impressão em Braille, outra revisão realizada por um revisor cego, última impressão, encadernação e envio para os alunos via correio. 2. LIVRO FALADO: Para o trabalho do livro falado ou áudio livro, após seleção dos internos é realizada uma capacitação, inclusive já foi realizado curso de locução. O interno além de ter uma voz boa para a gravação, clara, com uma dicção perfeita, tem que conhecer os programas que irá utilizar no processo de gravação e edição do livro. Após esse período, inicia-se o trabalho propriamente dito, contando com as seguintes etapas: • Seleção dos livros pelo CAP; • Gravação de todo o livro; • Edição de sons e vozes; • Gravação em CD para revisão; • Revisão realizada no CAP por um funcionário cego; • Correções (caso haja necessidade); • Reprodução das 175 cópias; • Impressão de etiquetas; • Marcação em Braille das etiquetas; • Etiquetagem, endereçamento e encaminhamento via cecograma para os diversos locais. 3. MATRIZES EM RELEVO, MAQUETES, EQUIPAMENTOS PRÉ-BENGALA (brinquedos adaptados): Como nos outros setores este também, após a seleção, é realizada a capacitação. • Encaminhamento dos modelos mapas, desenhos, gráficos, brinquedos, maquetes, etc; • Produção de um modelo/matriz; • Reprodução de acordo com o número solicitado; • Encadernação/empacotamento e distribuição. Todo o trabalho produzido é encaminhado aos alunos deficientes visuais dos 129 municípios sob a jurisdição do CAP Maringá. Exceção feita aos livros falados que de cada original são reproduzidas 175 cópias e distribuídas a todo Brasil e também enviado a Portugal.

Equipe

PEM: Atualmente na produção dos materiais atuam 20 pessoas privadas de liberdade. Outros servidores da unidade penal são envolvidos, como psicólogo, assistente social, chefia de segurança, direção da unidade penal, pedagogo para realizar a classificação das pessoas aptas a desenvolver tais atividades. Os agentes penitenciários são responsáveis pela soltura, movimentação interna, revista e fiscalização dos presos durante a produção dos materiais. CPIM: 05 presos atualmente, além da equipe técnica. CAP: cerca de 20 servidores.

Outros recursos

O projeto conta com recursos advindos de prêmios recebidos, seleção em editais sociais, e ainda de recursos do CONSEG Maringá e AMACAP.

Parceria

Conselho Comunitário de Segurança de Maringá - CONSEG Maringá; Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual - CAP Maringá; Associação Maringaense de Amigos do CAP - AMACAP; Penitenciária Estadual de Maringá; Colônia Penal Industrial de Maringá; Receita Federal de Maringá; Fundação Banco do Brasil; Instituto Viva Cidadania; Justiça Federal de Maringá.

Equipamentos e sistemas

12 computadores; Impressoras; Software Braille Fácil.

Orçamento

Valor investido: 2016 - R$ 14.000,00; 2015 - R$ 30.778,86; 2014: R$ 2.785,80; 2013 - R$ 82.014,63. Fontes de recurso: Fundação Banco do Brasil, Instituto Viva Cidadania, CONSEG Maringá.

Parceiros Institucionais

Apoio